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22 de novembro de 2013

Fieis rompem as dificuldades e percorrem quilômetros em busca da fé, na Romaria da Penha.

Segundo a máxima popular, a fé move montanhas! Caminhar 14 km cantando e rezando para mostrar devoção a Nossa Senhora da Penha tem sido uma regra seguida por muitos fieis que cruzam estados, cidades e ‘atropelam’ as adversidades e atribuem toda a força que conseguem à fé.
A procissão ocorre neste sábado, em João Pessoa, a partir das 22h, e segue até a manhã do dia seguinte, reunindo cerca de 300 mil pessoas que a tornam a principal manifestação religiosa da Paraíba, a segunda maior do Brasil, atrás apenas do Círio de Nazaré, que coloca cerca de 2 milhões do católicos nas principais ruas de Belém, no Pará. 
A bioquímica Maria Jesus, 64 anos, é uma das devotas que se entrega profundamente a essa jornada religiosa na Procissão da Penha. Apesar dos problemas de saúde com familiares, ela avisa que deve participar da festividade e afirma que “a emoção é inexplicável".
Com o ex-marido operado em decorrência de um câncer no intestino e um irmão que passou por cirurgia, Maria Jesus encontra em Nossa Senhora da Penha a força que precisa para vencer os obstáculos e se unir aos milhares de romeiros, que se apegam num só objetivo: agradecer à santa pelas graças alcançadas.
“Já passei por muitas dificuldades, mas sempre dou um jeito de participar. Uma vez fui diagnosticada com hepatite C, porém, não me desanimei e fui louvar, cantar para Nossa Senhora da Penha. Não são os problemas que vão diminuir meu ânimo. Vou fazer o impossível para caminhar junto à santa que tem feito milagres na minha vida” revela a bioquímica, emocionada.
A vendedora Fátima Alexandre diz que é uma das 300 mil pessoas dispostas a percorrer os 14 km em caminhada. Ela conta que vai à Romaria da Penha há mais de 10 anos e nesse período venceu problemas com o alcoolismo do ex-marido. “Passei uma situação difícil com meu ex-companheiro, devido às bebidas alcoólicas, mas nunca pensei em desistir de caminhar ao lado de Nossa Senhora da Penha. Ergui a cabeça, entreguei o problema à santa e graças a Nossa Senhora tudo deu certo. Levo terço e outros objetos religiosos e sigo na caminhada de purificação. Estou na expectativa para chegar o dia da romaria. Eu vou, meu filho também e até meu ex-companheiro vai se juntar a nós”.

Caminhada reúne toda a família
Foto: Caminhada reúne toda a família

Créditos: Diego Nóbrega 

A manifestação renova a fé dos católicos e cumpre o importante papel de fazer com que os participantes se envolvam em ações de caridade e bem-estar social para com o próximo. “É um sentimento que você tem com Deus, o agradecimento por estarmos vivos, por enxergar, falar, andar; pela nossa família e por tudo o que temos. É uma força divina que nos move. Quando estamos caminhado na romaria, os anjos nos acompanham, nos livrando do mal, e nasce um sentimento de ajudar o próximo, de solidariedade.”, desabafa a bioquímica Maria de Jesus.
Fiéis estão dispostos a tudo pela devoçãoFoto: Fiéis agradecem pelas graças alcançadas

Créditos: Diego Nóbrega 

Estrutura
A organização da Romaria da Penha 2013 já cadastrou e autorizou 12 trios elétricos que vão guiar os romeiros. O primeiro vai estar posicionado nas proximidades da subestação da Energisa, na Avenida Pedro II, bairro da Torre, na Capital.
A Romaria terá início às 22h deste sábado (23), logo após o Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, dar a Bênção de Envio, desejando a todos uma tranquila caminhada, em frente à igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no Centro de João Pessoa.
A procissão segue pelas avenidas João Machado, Pedro II, passa pelo trevo universitário, segue pela avenida Sérgio Guerra (principal dos Bancários), contorno da entrada do bairro de Mangabeira, na Zona Sul, e vai pela pista que dá acesso à Praia da Penha, onde é concluída na Praça Oswaldo Pessoa.
São esperados cerca de 300 mil fiéis

Foto: São esperados cerca de 300 mil fiéis

Créditos: Diego Nóbrega
História
Em 1763, o português Sílvio Siqueira fez um apelo à Nossa Senhora da Penha. Ele e a tripulação de uma embarcação enfrentavam uma grande tormenta no litoral paraibano e, para vencer o problema, pediu à santa para aportar com segurança. A graça foi alcançada e, em retribuição, Sílvio ergueu uma capela onde desembarcou, na então Praia de Aratú, que hoje é a Praia da Penha. Assim começou a devoção a Nossa Senhora da Penha na Paraíba. A festa completa 250 anos em 2013.
Fonte: Portal Correio