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8 de janeiro de 2014

50 ANOS DA RESISTÊNCIA CAMPONESA DE MARI.

Neste dia 15 de janeiro de 2014, presta-se uma justa homenagem aos camponeses de Mari, que, há exatos 50 anos, estando ordeiramente lavrando e semeando a terra, resistiram heroicamente à agressão de forças policiais que agiram a mando dos latifundiários da região.

Na ocasião, tombaram o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Antonio Galdino da Silva e os camponeses José Barbosa do Nascimento, Pedro Cardoso da Silva e Genival Fortunato Félix; sete policiais também terminaram mortos. Estima-se que cerca de 300 camponeses trabalhavam em uma lavoura às margens de onde hoje se situa o km 21 da PB-073. Dezenas de pessoas ainda foram feridos a bala.

Dois meses e meio depois, veio o golpe civil-militar no Brasil, que mergulhou nosso país no terrorismo de Estado de uma ditadura que durou 21 anos. O conflito produzido em Mari se configura, portanto, como mais uma das centenas de ações organizadas pelas elites brasileiras para preparar o golpe. Na Paraíba, somou-se aos ataques contra as Ligas Camponesas, que, em 1962, já havia resultado na execução de seu principal líder na região, João Pedro Teixeira.

O Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça, entidade civil que reúne professores, estudantes, profissionais liberais, representantes sindicais e dos movimentos sociais, está preparando para o próximo dia 15 um dia inteiro de atividades dedicadas a relembrar este episódio e a homenagear a resistência camponesa no Município de Mari.

Para isso, no último dia 06 de janeiro, o Comitê MVJ realizou uma audiência com o prefeito de Mari, Marcos Martins, onde foi firmado o compromisso de apoio na estrutura e na mobilização da população para as atividades do dia 15 por parte da Prefeitura.

Sendo assim, a Paraíba inicia a jornada de atos políticos, homenagens, protestos, debates que acontecerão em todo o Brasil para repudiar a Ditadura Militar no marco do cinquentenário do golpe de Estado de 1964.

Segue abaixo a programação do evento.

Telefones para contato do Comitê: José Calistrato (8835-4535), Nazaré Zenaide (9985-3763) e Rafael Freire (8736-0001).

PROGRAMAÇÃO

09h00 – Ato religioso no local do conflito (PB-073, km 21) com a presença de dom Lucena (bispo de Guarabira), padre Bosco (presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Paraíba) e outros religiosos.

10h00 – Abertura oficial no Ginásio de Esportes O Marcão – PB-073, km 21.

Palestra As Ligas Camponesas – Antonio Augusto de Almeida (do Comitê MVJ e correspondente do jornal Terra Livre à época do conflito).

Homenagem aos familiares dos mortos – Antonio Galdino da Silva, Pedro Cardoso da Silva, Genival Fortunato Felix e José Barbosa do Nascimento.

Lançamento do Cordel A Resistência Camponesa de Mari, de autoria de Medeiros Braga.

Atividades Culturais com cantadores, emboladores e capoeira.

14h00 – Ato Político com lideranças sociais locais e nacionais – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mari.

Apoio: Prefeitura Municipal de Mari, Câmara Municipal de Mari, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mari, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, Sindicato dos Bancários da Paraíba, Sindifisco-PB, Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana da Paraíba, Sindicato dos Urbanitários da Paraíba, Associação Cultural José Martí (ACJM), Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Movimento do Espírito Lilás (MEL), Centro de Referência dos Direitos Humanos (CRDH), Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas (APES), Partido Comunista Revolucionário (PCR), Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da UFPB, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Orçamento Democrático de JP, Projeto Cinema pela Verdade, Núcleo de Documentação Cinematográfica da UFPB (NUDOC), Ação Libertadora Nacional (ALN), Dignitatis, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Memorial das Ligas Camponesas, Comissão Estadual da Verdade e Preservação da Memória.

Fonte: Paulo Freire