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18 de maio de 2015

Com dívida de R$ 1,15 bilhão, Itaquerão completa um ano.

O Corinthians celebra nesta segunda (18) o aniversário de um ano de seu estádio, o Itaquerão, mas ganha um "presente de grego": a conta de R$ 1,15 bilhão chegou. O estádio, que sediou 33 jogos oficiais do time, começa a ser pago em julho –parcelas mensais de R$ 5 milhões.

Inicialmente, o Corinthians não precisará desembolsar diretamente a quantia.
Todas as receitas que a arena proporcionou desde então –bilheteria, venda de camarotes, publicidade etc– foram depositadas na conta do fundo imobiliário que administra a conta do estádio.

Até dezembro de 2014, o Itaquerão havia gerado R$ 11 milhões. Só no Paulista de 2015, a arena rendeu outros R$ 14,6 milhões brutos. O plano dos idealizadores do estádio é que a arena se banque sozinha, sem que o Corinthians precise cobrir quando as rendas não alcançarem o valor das parcelas. O prazo para para pagar tudo é de 12 anos. A partir de 2016, as parcelas aumentam.

Mas a missão não é simples. O ex-presidente do clube Andres Sanchez ainda não conseguiu vender os direitos pelo nome da arena. Os naming rights, se negociados pelos valores pedidos pelo Corinthians, renderão R$ 400 milhões em 20 anos. Ou seja, R$ 20 milhões por ano, valor que pagaria quatro parcelas anuais da arena.

Não há perspectiva para a conclusão do negócio. A diretoria diz apenas que conversa com quatro empresas. Outras receitas que o estádio poderia produzir, com cadeiras cativas e lojas, por exemplo, estão engatinhando. O clube demorou e só lançou um plano para vender as cativas há algumas semanas.

A saída do time da Libertadores também afeta negativamente, pois é na competição que o clube registra as receitas recordes de bilheteria. As parcelas de R$ 5 milhões dizem respeito ao principal empréstimo para construção do estádio, feito pelo BNDES –R$ 400 milhões.

A Odebrecht, construtora da arena, e o Corinthians fizeram mais dois empréstimos para a obra, que somam R$ 250 milhões. Estes valores foram solicitados porque o empréstimo do BNDES demorou a sair e não havia dinheiro para que a obra fosse tocada a tempo de receber a Copa. O terceiro meio usado para o financiamento da arena é o incentivo fiscal oferecido pela Prefeitura de São Paulo.

O município emitiu para o estádio R$ 420 milhões em papéis que podem ser negociados com empresas, mas a operação tem sido um fracasso. Uma ação movida pelo Ministério Público questionando a validade dos incentivos concedidos atrapalha na comercialização dos papéis.

Fonte: Folha de São Paulo