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3 de setembro de 2015

A força de Luciano Cartaxo.

Há uma visível euforia no eleitor ricardista. Ela se deve ao presumível rompimento da aliança com o PT e ao consequente lançamento de candidatura do PSB à prefeitura de João Pessoa no próximo ano.

E nada melhor que a inauguração de grandes e importantes obras de concreto armado para despertar e manter levantado o ânimo dessa militância que se prepara para mais uma batalha.

Mas, é bom que os socialistas evitem cometer os mesmos erros que levaram adversários de Ricardo Coutinho à derrota, tanto em 2010 quanto em 2014: a soberba, o “salto alto”.

No ano passado, os cassistas riam das chances de reeleição de RC da mesma maneira que muitos ricardistas , hoje, embevecidos pelo bom momento político e administrativo de Ricardo Coutinho, ensaiam assumir essa postura.

Em razão disso, não custa nada lembrar duas coisas: 1) quem enfrentará Luciano Cartaxo será provavelmente João Azevedo, e não Ricardo Coutinho; 2) será a gestão de Luciano Cartaxo que estará em julgamento no próximo ano, e, novamente, não a de Ricardo Coutinho.

Da mesma maneira que o eleitor, para o bem e para o mal, separa a administração municipal da federal, também separa da estadual. Eleição não é uma disputa entre esferas de poder e cada uma tem sua própria dinâmica.

E são vários os casos em que governadores muito bem avaliados foram derrotados em suas respectivas capitais.

O contrário também é verdadeiro. Em 2012, por exemplo, o PT administrava duas grandes capitais nordestinas (Recife e Fortaleza) e foi derrotado por candidatos apoiados por governadores, coincidentemente também do PSB (Eduardo Campos e Cid Gomes, este último à época no partido).

Ali, nós tivemos a conjunção de gestões municipais com problemas de avaliação e que tinham como contraponto candidatos apoiados por gestões estaduais muito bem avaliadas.

E é essa a grande questão: o que Luciano Cartaxo terá a mostrar para o eleitorado em termos de realizações de sua gestão? Ele conseguirá convencer que João Pessoa continuou avançando ou prevalecerá a ideia de que a capital retroagiu? Que seu trabalho merece ser aprofundado ou não?

A estratégia de Cartaxo parece ser a de tentar dar à sua administração um perfil mais voltado à periferia e com a população mais pobre: construção de casas populares, creches, postos de saúde.

Já imaginaram o peso dessas imagens no guia eleitoral? Os depoimentos que podem render?

Sem esquecer as grandes obras, como a reurbanização da Lagoa, que deve ser o grande marco da gestão a ser entregue às véspera da eleição.

Além da obra da Beira-Rio, que impedirá os alagamentos frequentes durante a época de chuvas e consolidará o trabalho que que visa acabar com os engarrafamentos naquela área, especialmente com a duplicação da avenida que dá acesso ao Altiplano.

Do ponto de vista político, a consolidação da candidatura de Manoel Jr tende a ser benéfica a Cartaxo, exatamente porque tem Cássio e Maranhão como seus principais fiadores – talvez só seja possível entender essa aproximação entre os dois observando os arranjos promovidos lá por cima, em Brasília.

Tem a ver com 2018? O tempo dirá.

Mesmo sem claras divergências com Luciano Cartaxo, o certo é que Manoel Jr. não pretende reforçar o projeto do governador em João Pessoa, especialmente se tiver Cássio como um dos seus principais “conselheiros”.

E nesse quadro, Cartaxo pode ter um alento no segundo turno se enfrentar o candidato do PSB, já que antes tudo parecia indicar uma perigosa situação de isolamento para o petista.

E se Cartaxo fizer um esforço para atrair Maranhão...

Enfim, como disse o próprio governador durante essa semana, muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte.

Fonte: FLÁVIO VIEIRA