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24 de outubro de 2015

Paraibana nota mil na redação do Enem dá dicas para a prova.

 “Eu sei que é algo bem difícil, mas, antes de mais nada, tentar manter a calma e pensar: ‘eu consigo fazer isso’”. Essa é uma das dicas que a paraibana Laisa Amaral, de 19 anos, dá aos candidatos que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano. Ela prestou o exame em 2013 e está entre os estudantes que conseguiram a nota máxima na redação, 1.000. Com uma média geral de 763 pontos, ela passou em 4º lugar para o curso de direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

“Foi o que fiz assim que peguei na folha que tinha o tema da redação. Fazer redação para o Enem é questão de desenvolver tópicos que se defende. Então, após ler os textos motivadores, eu recomendaria que se rabisque - no próprio caderno de questões mesmo - os pontos que se quer sustentar e suas respectivas motivações. Depois disso, é deixar o pensamento fluir”, explicou Laisa.

A universitária enfatiza que o segredo para tudo dar certo é manter a calma. “Ou pelo menos tentar mantê-la em parte e acreditar na própria capacidade de se superar”, complementou. Laisa passou no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) para o curso que queria logo que terminou o 3º ano do ensino médio.

 Título da redação


Apesar de não ser obrigatório, Laisa acredita que o título da redação é muito importante para conseguir uma boa nota. “Ele é a primeira impressão que se tem quando vamos ler um texto. Então, quanto mais criativo e rico o conteúdo do título, melhor será a primeira impressão que a banca de correção terá do texto”, disse.

A professora Sílvia Abrahão compartilha da mesma opinião de Laisa. “Na minha opinião, uma redação sem título já tem uma deficiência. Essa não obrigatoriedade está levando os candidatos a acreditarem que ele não seja importante, mas ele deveria ser entendido como uma possibilidade sedução do leitor. Um belo título já dá vontade de ler o texto”, pontuou.

“Uma redação fica muito feia sem título, principalmente uma dissertação. O título é um ícone de elegância, é o exato instante que mostra ao leitor o vai surgir. Apesar de não ser obrigatório, deve existir”, complementou a professora.

 Ordem das provas

Laisa conta que começou a prova do segundo dia do Enem logo pela redação porque acredita que o candidato fica esgotado e sem paciência para escrever nas últimas horas. “Fazendo a redação primeiro, o candidato, ainda cheio de energia, pode ter mais concentração e abusar mais da criatividade”, comentou. Ela indica que seja dedicada uma hora para o texto. Nesse tempo, o candidato pode elaborar, revisar e passar a redação a limpo.

“Se ultrapassar esse tempo, vai para a prova de português e tenta responder em uma hora e meia, no máximo, para, depois, dedicar o restante do tempo a matemática. Faltando uma hora para o término da prova, é o tempo de voltar para a redação, concluí-la e preencher o gabarito”, aconselhou a estudante. “Outra coisa que eu recomendaria é reler o rascunho calmamente e analisar sempre muito bem a coerência do que se escreveu e a repetição de palavras, para, depois, passar a limpo”.

Para a professora Sílvia, não existem regras nesse sentido porque cada um tem seu próprio ritmo. “Porém todos devem evitar deixar para escrever no final. É perigosíssimo fazer isso porque essa é uma prova importante que deve ser feita com calma. Deixar para o final é já estar com a mente cansada”, explicou.

A orientação dela é fazer a redação logo no início. Depois que terminar o rascunho, o candidato pode passar para as outras provas e só no fim voltar para passar a redação a limpo. “Quando a gente tem uma distância do próprio texto, a gente adquire uma frieza. Fazendo a prova de matemática, você usa o outro lado do cérebro, se distancia do lado humanístico, e quando volta já está com a mente mais fria, está mais atento para erros que não veria se tivesse imediatamente passado a limpo”, informou.

Cinco competências

A prova do Enem observa cinco competências do candidato na redação: demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa; selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

A professora Sílvia Abrahão explicou que o candidato que compreende essas cinco competências e que sabe como a prova é corrigida já sai na frente dos concorrentes. “O exame exige que qualquer tema seja problematizado. Ao final, o candidato terá que trazer soluções cabíveis, realizáveis. A preocupação é essa: problematizar, pensar em boas soluções que sejam praticáveis, que não podem ser vagas e utópicas, senão a nota certamente vai baixar”, alertou.

Outros pontos aos quais os candidatos devem ficar atentos são o tema da prova e o respeito à norma culta do português. “Deve-se ter muita atenção a desvios da língua, de ortografia, acentuação, concordância, uso da crase e erros gramaticais no geral. Isso prejudica a fluência do texto e baixa a nota”, lembrou.

Fonte: G1 Paraíba