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20 de novembro de 2015

Maternidade de João Pessoa registra 15 casos de microcefalia em 2015.

Um total de 15 casos de microcefalia foram registrados no Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa, de janeiro até a quinta-feira (19). De acordo com a diretoria da unidade, a quantidade de casos já caracteriza um surto da doença e uma investigação será feita para saber se os casos têm ligação com o Zika vírus. No ano passado, o ICV contabilizou apenas um caso de microcefalia.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde da Paraíba na manhã desta sexta-feira (20) para saber sobre o total de casos de microcefalia registrados no estado este ano.
O órgão informou que os números atualizados estão previstos para serem divulgados na terça-feira (24), através de um boletim oficial.

De acordo com o diretor clínico do ICV, Juarez Augusto, dos casos registrados, 13 crianças nasceram com a doença e duas gestantes que fazem o pré-natal na maternidade receberam o diagnóstico da malformação dos fetos na tarde da quinta-feira. Augusto explica que as pacientes foram encaminhadas por equipes do Hospital Édson Ramalho, na capital.

“Elas fizeram os exames e foi diagnosticado a microcefalia nos fetos. Este número de 15 casos dessa malformação que tivemos desde janeiro até agora é alarmante e já caracteriza um surto. Já esta semana começamos a entrevistar todas essas mães para saber se elas tiveram algum problema de saúde, virose ou zika durante a gestação”, explicou.

A Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa informou, através da assessoria de comunicação, que a partir da segunda-feira (23), todas as gestantes atendidas pela rede municipal e cuja criança for identificada com algum tipo de malformação, devem ser encaminhadas para o ICV para que seja acompanhada no local.

Relação inédita
Na terça-feira (17), o Ministério da Saúde informou que a epidemia de contaminação por zika vírus registrada no primeiro semestre é a "principal hipótese" para explicar o aumento dos casos de microcefalia na região Nordeste. No mesmo dia, exames feitos com o líquido amniótico de dois bebês com a doença em Campina Grande confirmaram que houve infecção por Zika vírus durante a gestação.

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que as investigações sobre a relação da infecção pelo vírus com a microcefalia estão sendo feitas com cautela. "Vocês podem perguntar se isso fecha a correlação entre as duas coisas, e minha resposta é: 'quase'. Estamos sendo bastantes cautelosos, mas não se encontrou nenhuma outra causa até o momento. Tivemos uma circulação importante do vírus no Brasil no primeiro semestre, coisa que aconteceu pela primeira vez na nossa história", disse Maierovitch.
Maierovitch disse ainda que a relação entre o vírus zika e a má-formação genética "é inédita no mundo" e não consta na literatura científica até o momento. "Nossos cientistas, cientistas do mundo que se interessarem, devem nos ajudar a provar essa causa e efeito."

Apesar disso, o Ministério da Saúde não trabalha com a hipótese de que o vírus zika em circulação no Brasil tenha sofrido mutação e se tornado mais perigoso. “O Zika foi identificado em pouquíssimas partes do mundo. Foi no Brasil e no primeiro semestre que ele circulou com mais intensidade. Essas consequências 'novas' podem não ter sido identificadas antes porque a circulação ocorreu em áreas limitadas", afirmou o diretor.