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13 de novembro de 2015

PB tem mais sete casos confirmados de microcefalia em 2015, diz gerência.

Mais sete casos de bebês nascidos com microcefalia em Campina Grande em 2015 foram confirmados pela gerente da 3ª Gerência Regional de Saúde, Tatiana Medeiros, na manhã desta sexta-feira (13). 

Com a atualização, o número estadual chega a 16 casos: 13 em Campina Grande, um em Cabedelo, outro em São Miguel de Taipú e mais um em Sapé.



De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, apenas os casos de Cabedelo, São Miguel de Taipú e Sapé estavam, de fato, confirmados no órgão até as 9h40 (horário local) desta sexta-feira. Para a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, seis casos estão confirmados na cidade, já que a prefeitura monitora apenas o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA).

Para a gerente da 3º Gerência Regional de Saúde, Tatiana Medeiros, os números estão aumentando e causando essas divergências por causa da demora na notificação ao órgão estadual. Segundo ela, os casos estão sendo confirmados aos poucos porque foi montada uma força-tarefa com vários profissionais para apurar os casos. "Muitas secretarias não notificam os casos ao Estado, fazendo com que nós não tivéssemos conhecimento. Com a ajuda de vários profissionais, estamos localizando mais casos", explica.

Para discutir o aumento no número de casos, a Secretaria Estadual marcou uma reunião técnica para esta sexta-feira, às 10h (horário local), na sede do órgão em João Pessoa. Em nota, a SES solicitou a todos os serviços de saúde, público e privados, que comuniquem imediatamente todos os casos de microcefalia registrados nos municípios.

Ainda segundo Tatiana Medeiros, equipes da 3ª Gerência Regional de Saúde estão visitando várias cidades e famílias. "Além dos já nascidos, estamos recebendo informações de mulheres que estão grávidas de bebês com microcefalia", disse.

Estado de emergência

O Ministério da Saúde decretou na quarta-feira (11) situação de emergência e afirmou que investiga o aumento no número de casos da doença no Nordeste. Segundo o ministério, o estado de emergência em saúde pública garante que os serviços de saúde tratem a questão da microcefalia com prioridade. A investigação das possíveis causas do aumento vai ser feita em conjunto por equipes do Ministério da Saúde e dos governos estaduais e municipais.

O Ministério da Saúde também ativou, na terça-feira (10), o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), em Brasília. Trata-se de um mecanismo de gestão de crise, que reúne as diversas áreas que podem concorrer para resposta a esse evento de forma que o assunto seja tratado como prioridade. A investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde.

De acordo com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, a média de casos para o estado era de 10 por ano, o que representa um aumento incomum. "Estamos de fato em uma situação inusitada em termos de saúde pública", disse Castro. A situação tem sido acompanhada pelo Ministério desde o dia 22 de outubro.  Em nota enviada à imprensa, o Minstério da Saúde informou que recebeu relatos dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte sobre o mesmo assunto. As suspeitas estão sendo investigadas e contam com o monitoramento de equipes do Ministério da Saúde.

Hipótese de ligação com zika vírus

Sobre a hipótese que tem sido discutida pela comunidade médica, de que o aumento de casos de microcefalia poderia estar relacionado a infecções por zika vírus - vírus que foi identificado pela primeira vez no país em abril deste ano - os representantes do ministério afirmaram que ainda é precipitado atribuir o evento a essa causa.

Entenda o que é a microcefalia

Microcefalia é uma condição médica que se caracteriza por um crânio menor do que o tamanho médio, geralmente por causa de uma falha no desenvolvimento do cérebro. O problema pode estar associado a síndromes genéticas ou a outros fatores como abuso de álcool e drogas durante a gravidez ou a infecção da gestante por rubéola, catapora ou citomegalovirus.

Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a  33 centímetros. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos infecciosos, como bactérias, vírus e radiação.

Crianças que nascem com microcefalia podem ter o desenvolvimento cognitivo debilitado. Não há um tratamento definitivo capaz de fazer com que a cabeça cresça a um tamanho normal, mas há opções de tratamento capazes de diminuir o impacto associado com as deformidades.

Segundo o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e AVC dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (Ninds-NIH), algumas crianças acometidas pela anomalia podem ter algun nivel de incapacitação. Outras podem se desenvolver de forma similar a outras crianças e ter inteligência normal.

Fonte: G1 Paraíba