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3 de março de 2016

Vale do Paraíba é destaque na produção de camarão orgânico.

Estudo, que está sendo elaborado pelo Sebrae Paraíba, faz mapeamento de toda a produção da carcinicultura no Vale do Paraíba.

Com lucro de aproximadamente R$ 40 mil por tanque, a produção de camarão orgânico da região do Vale do Paraíba, é apontada como uma das principais potências na aquicultura do Estado, com resultados mais viáveis e atraentes que criações mais tradicionais, como a da tilápia, por exemplo.

O principal diferencial desse tipo de produto está no seu cultivo: por não usar materiais industrializados para a alimentação dos camarões, como rações de crescimento geralmente utilizadas para aumentar o tamanho do animal, esse crustáceo possui cerca de 65% menos gordura que o tradicional, por isso é conhecido também como camarão light.

O presidente da Associação dos Criadores de Camarão, o engenheiro de pesca André Jansen, destaca o potencial da carcinicultura paraibana. “Hoje no Vale do Paraíba se concentram micro e pequenos produtores com alta densidade de estocagem, em torno de 100 camarões por metro quadrado e uma produtividade anual em torno de 25 toneladas, enquanto a média do Brasil é de seis toneladas”, disse.

Para solidificar esses negócios, entretanto, não basta o bom volume de produção, é preciso também se ater a questões legais importantes a qualquer negócio. “Somos hoje a região mais produtiva do país e uma das maiores do mundo, toda formada por micro e pequenos produtores que deixaram as lavouras tradicionais por uma cultura nobre como a do camarão. Estamos agora tentando formalizar todos os produtores, porque só assim teremos ainda mais força. E nisso o Sebrae vem ajudando bastante”, disse André Jansen.

Em elaboração pelo Sebrae, o estudo da produção da carcinicultura no Vale do Paraíba deve ser divulgado no próximo mês, mas já sinaliza o que se pode esperar da região, explica o analista técnico do Sebrae, Jucieux Palmeira. “Já identificamos nos primeiros estudos que há naquela região grande potencial na criação do camarão em Itabaiana e região. Estamos na fase de finalização do estudo, mas temos certeza que o material produzido irá alavancar essa produção”.

Apesar do potencial, reforça o analisa técnico do Sebrae, é preciso fazer um mapeamento amplo para regularizar e dar ferramentas necessárias para que os negócios da região cresçam de forma saudável. “Fizemos análises na área de viabilidade econômica, no detalhamento da produção, analisamos as questões jurídicas, como os licenciamentos ambientais, entre outras questões burocráticas. Tudo isso é importante para consolidar esses empreendimentos”, disse.

Depois de finalizado, o estudo será um instrumento importante para o setor, dada a falta de materiais analíticos mais consistentes. “Ele será nosso espelho para saber o que está acontecendo naquela área, já que não existe na Paraíba um estudo amplo da carnicicultura. Sabemos que a lucratividade é alta, há viabilidade econômica, só se precisa estudar melhor a produção para o planejamento ser mais sólido, o que será resolvido quando lançarmos o estudo”, disse Jucieux Palmeira.

O levantamento é uma realização do Sebrae Paraíba, através dos projetos de Desenvolvimento Territorial do Baixo Paraíba e do projeto Aquicultura Paraíba, e da empresa da Ecofish Consultoria em Aquicultura e Pesca, de Brasília.

Dados do setor no país – A carcinicultura corresponde a 13% de toda a produção da aquicultura do Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no seu estudo Produção da Pecuária Nacional (2013). No total são produzidos, em todo o país, cerca de 64 toneladas de camarões ao ano.


Fonte: AGÊNCIA SEBRAE